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SEMINÁRIO

Cotas, diversidade e inclusão são debatidas no Seminário Internacional Mulheres no Audiovisual

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A exemplo do ocorrido nas duas edições anteriores (em 2018 e 2017), o  Seminário Internacional Mulheres no Audiovisual dedicou no último dia 13 de junho, em São Paulo, um dia inteiro de painéis e debates à questão cada vez mais emergente que é a necessidade de maior representatividade feminina na produção de conteúdo para cinema e TV.  “Diversidade Dentro e fora das Telas” foi o tema eleito este ano para o evento, organizado pela ANCINE – Agência Nacional do Cinema, e cujo palco na cidade foi o Sesc da avenida Paulista. No dia seguinte, aconteceu uma versão no Rio de Janeiro, na Casa Firjan. A APRO é uma das entidades apoiadoras do Seminário, ao lado de Bravi, Siaesp, Sicav, SPCine, Conne, Fames, Abragames, Mulheres do Audiovisual Brasil e Apan.

Em São Paulo, Débora Ivanov, diretora da Ancine, abriu a sessão, lembrando que a agência já atualizou dois novos grupos de dados referentes a raça e gênero no audiovisual (veja aqui ). Na sequência, Carolina Costa , presidente da Comissão de Gênero, raça e diversidade da agência, também falou da importância dessa agenda voltada à diversidade e inclusão na Ancine. De acordo com ela, enquanto as mulheres de uma forma geral enfrentam dificuldades no segmento do audiovisual, no caso das mulheres negras o termo mais adequado é interdição.

Amanda Nevill

A primeira keynote speaker foi a britânica, Amanda Nevill, CEO do BFI (British Film Institut), do Reino Unido, que apresentou as conquistas daquele mercado em termos de diversidade, com diversas políticas e fundos que estimulam programas inclusivos. Ela ilustrou o plano de metas traçados pelo instituto, a partir de uma padronização de obras em conformidade com os públicos que conseguem incluir. Ainda assim, ela assinalou que 93% dos filmes daquele mercado são dirigidos por homens. “Temos de praticar o que pregramos”, afirmou.

Em seguida, no debate “Diversidade e Inclusão : Como Avançar”, a necessidade de se colocar cotas de representatividade gerou divergência. Carolina Costa (presidente da Comissão de Gênero, Raça e Diversidade da Ancine) e  Lyara Oliveira (representante da Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro – APAN), a despeito de todos os avanços, falaram sobre as crescentes dificuldades de inclusão de mulheres negras na indústria. Renata de Almeida, diretora da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, opinou que, no que tange à curadoria de festivais, não vê como possível se estabelecer sistemas de cotas, uma vez que a busca é por produtos já prontos. Para ela, cotas devem ser consideradas em etapas anteriores e mencionou filmes de sucesso na Mostra como “Diario de Adriana” (da cineasta Lissette Orozco, do Chile, vencedor de melhor filme pelo júri em 2017): “A cota é importante na formação e na produção”, disse, num momento em que houve manifestação contrária por parte da plateia e da mesa. Ela tentou responder, mas ficou sem microfone. Simoni de Mendonça (presidente do Sindicato da Indústria Audiovisual de SP – SIAESP), disse entender que em festivais cabe analisar uma obra independentemente do que consta na sua Ficha Técnica. No entanto, sobre cotas, ela se diz também a favor.

Outro ponto polêmico foi levantado por Alessandra Meleiro (presidente do Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual – FORCINE), que trouxe à mesa dados referentes à última edição do festival Rio2C, com números preponderantemente referentes ao universo masculino, seja nos paineis (somente 11% das palestrantes eram mulheres), seja nos representantes das empresas de conteúdo (70% homens).  Participaram da mesa ainda Jussara Locatelli (coordenadora do Fórum Audiovisual – Minas Gerais, Espírito Santo e Sul/Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul – FAMES) e a keynote britânica Amanda Nevill. A mediação foi da jornalista Ana Paula Souza.

Barbara Rohm

Como próxima keynote, Barbara Rohm, da ProQuote Film, da Alemanha, mostrou as formas de mobilização propostas para que a sociedade se mobilize e se envolva com as questões de diversidade nos produtos audiovisuais. A receita, segundo ela, é ter sim muita representação por parte da sociedade nestas discussões.

No debate seguinte, do meio da tarde, o tema de representatividade indígena ganhou destaque, por conta da participação apaixonada de Graciela Guarani, produtora cultural e cineasta ameríndia. Em diversos momentos ela tratou como de invisibilidade a condição das produtoras de sua etnia, que segundo ela não tem voz nem força para pleitear espaço nas questões de inclusão, pois não fazem parte da “panelinha”.

Minom Pinho, Idealizadora do Festival Internacional de Mulheres – FIM, fez uma consideração importante: num momento em que os investimentos estão em zero, não tem nem como se falar de cotas. Participaram do painel a Keyonte Barbara Rohm, Malu Andrade, (grupo Mulheres do Audiovisual Brasil e SPCine), Elisiane dos Santos, Procuradora do Trabalho e coordenadora do Grupo de Trabalho de Raça da Coordenadoria de Promoção à Igualdade e Combate à Discriminação do Ministério Público do Trabalho;
Marina Pecoraro, da Abragames, e Barbara Sturm, Diretora de Conteúdo da Elo Company. A mediação foi da jornalista Neusa Barbosa.

Ana Carolina Querino e Debora Ivanov

Ao final, Débora Ivanov e Ana Carolina Querino, da ONU Mulheres  firmaram aliança por um audiovisual 50-50.

Os parceiros da Ancine no evento foram: Goethe Institut, Firjan/Sesi, Sesc e ONU Mulheres. (Por Edianez Parente)

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