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Debate sobre prazos de pagamento sugere diálogo e roadshow

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Egisto Betti e Rejane Bicca

Lourenço Rolon, Egisto Betti, Rejane Bicca, Robert Filshill e Mário Peixoto

No final do último dia 23, domingo, durante o Festival do Cube de Criação,  veio o painel  “Pagamento em 180 dias. A prática continua”. Nele, a mesa reunida debateu o sério problema dos prazos de pagamento impostos às produtoras de áudio e audiovisual, que estão ameaçando a sobrevivência. O painel contou com muita participação da plateia, formada na sua maioria por profissionais de produtoras e com alguns profissionais de agência de publicidade também concordando na emergência da questão. Ao final, levantou-se uma proposta de conscientização da indústria, com as produtoras promovendo junto às agências e clientes uma espécie de roadshow para melhor apresentar as dificuldades da situação e tentar achar um caminho viável para todos.

“Vai virar uma questão de sobrevivência”, disse o o conselheiro da APRO e sócio da Paranoid, Egisto Betti, lembrando que uma produtora não tem contratos fixos; ela começa cada ano do zero. Para ele, é um tanto desleal a produção ser por aqui vítima de uma politica internacional em que as empresas buscam indicadores de cash flow insustentáveis pelas nossas empresas. “Estamos chegando num momento em que se está afunilando; o que me deixa muito triste é presenciar uma guerra onde muita gente vai morrer – e nós podemos morrer primeiro que as grandes corporações”, cravou. Para Betti, é preciso tentar voltar a ter um padrão minimamente saudável para que a indústria volte a entregar.

A mediação do debate foi de Mário Peixoto (Sócio – Papaki) e contou também com a presença Lourenço Rolon (Vice-Presidente – Associação Brasileira das Produtoras de Fonogramas Publicitários – Aprosom / Sócio – AudioBoutique); Rejane Bicca (Diretora – Clube de Criação / Diretora de Atendimento – O2 Filmes) e Robert Filshill (Presidente – Grupo de Atendimento / Diretor de Atendimento – MullenLowe Brasil).

Filshill, único profissional de agência no debate, afirmou: “Estamos muito incomodados com esta questão, que agride o mercado”. Para ele, o tema é muito maior que uma questão de prazo, sendo sim preciso mudar o campo, parar de focar na questão financeira e mudar a abordagem para o campo do assédio moral, ética ou compliance. “Esse resultado depende da gente, tem de mudar o discurso”, sugeriu.

“Vamos questionar e ter com as agências e clientes essa conversa, que é sobre sobrevivência. Vamos deixar de falar de prazo de pagamento e começar a falar de ética”, afirmou Rejane Bicca.

Mediador, Mário Peixoto lembrou que houve um tempo em que havia listas de preços referenciais envolvendo as entidades (APRO e Abap – Associação Brasileira de Agências de Publicidade) e que, por conta de ação no Cade (Conselho Administrativo de Direito Econômico) movida pela ABA (Associação Brasileira de Anunciantes), a APRO teve de pagar um grande valor em multa. Para ele, é preciso buscar alguma possível solução, sem citar casos específicos nem apelar exclusivamente sobre margem, “o que não vai adiantar”, disse. “A ética é uma coisa com que toda empresa está preocupada”, afirmou Peixoto.

Segundo Lourenço Rolon, falar de prazo é falar de preço. “É muito difícil ter dinheiro para fazer isso”, destacando que a categoria do áudio é a mais fraca dessa cadeia econômica. Para ele, é muito importante ter um diálogo com as agências. “Precisamos da ajuda de todos. Está mais difícil falar com o cliente. Estamos num limite que vai começar a esbarrar no que a gente entrega”, alertou.

Vale lembrar que em maio de 2017, a APRO divulgou o estudo sobre o impacto dos prazos de pagamento na saúde financeira das produtoras feita pela Global, com ampla repercussão na imprensa do trade na ocasião. O estudo ouviu cerca de 100 clientes e 100 produtoras sobre as condições em que atuam no mercado. O estudo foi publicado na edição impressa do IV Fórum de Produção Publicitária e pode ser baixados aqui por associados da APRO (http://www.apro.org.br/apro-docs), arquivos “Estudo Completo” e também “Resumo Executivo”. (Edianez Parente)

 

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