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ANIMAÇÃO Destaque

Produtoras celebram balanço positivo de Annecy

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O Brasil fez bonito em Annecy, terra dos criadores de Asterix e não por acaso sede do maior festival de animação do mundo. “Everything in Black and White”,da Vetor Zero/Lobo, venceu na categoria Filmes Comissionados (publicidade), e “Garoto Transcodificado a Partir de Fosfeno”, de Rodrigo Faustini, recebeu o prêmio Off-Limits na categoria Curtas. Dois grandes resultados, num saldo altamente positivo para a delegação brasileira, formada por 54 empresas integrantes dos projetos parceiros da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) com entidades setoriais que promovem as exportações dos segmentos de audiovisual e música: Brazilian Content, Brasil Music Exchange, Cinema do Brasil e FilmBrazil.

O curta-metragem publicitário “Everything in Black and White” foi criado pela F/Nazca S&S para a Leica M-Monochrom (Typ 246), câmera digital que só faz fotos em P&B. Mateus de Paula Santos e Fábio Acorsi assinam a direção de cena da animação, que é toda em preto e branco e que faz diversas comparações gráficas com o universo da fotografia

O link do filme aqui: https://www.youtube.com/watch?v=Mq5NqGrWx7A&feature=youtu.be

Também a produção “Garoto Transcodificado a Partir de Fosfeno”, de Rodrigo Faustini, recebeu o prêmio Off-Limits na categoria Curtas

Com um espaço no Mifa (evento de negócios do festival) que passou de 9m² para 45m², a atuação integrada dos projetos setoriais contribuiu para a percepção positiva do mercado em relação ao potencial criativo do país. Cerca de mil pessoas visitaram o espaço Be Brasil no Mifa e tiveram contato com a produção nacional.

O Brasil foi o país homenageado pela organização do evento e contou com oito produções nas mostras competitivas, além da exibição de 15 sessões de homenagens à animação brasileira. A Apex-Brasil desenvolveu uma campanha de comunicação para o evento para comemorar os 100 anos da animação no Brasil.

“O saldo da participação brasileira em Annecy neste ano foi muito positivo. A presença no festival contribuiu para fortalecer nossa imagem e criar novas conexões, o que certamente trará avanços na inserção internacional do setor”, afirma a diretora de Negócios da Apex-Brasil, Márcia Nejaim.

A Hype.cg, produtora de Porto Alegre, por exemplo, comemorava na sexta-feira (15) a assinatura de acordo de coprodução com o Chile, no valor de US$ 1 milhão para a série de animação pré-escolar ‘Guitar & Drum”. “As negociações começaram no início do ano e se concretizaram aqui em Annecy”, revelou o CEO da empresa, Gabriel Garcia.

A Spirit Animation também era só animação. Sem trocadilho, Fernando Macedo anunciou a concretização do projeto de um longa-metragem 3D e stop motion, uma coprodução Brasil, Argentina e Peru. Outros dois negócios estão em andamento com Índia e Alemanha, sendo uma série 2D e um longa. Já Cid Makino e Jonas Brandão, da Split Studio, comemoravam a parceria com Sebastién Onomono e a produtora francesa Les Films d’Ici para o desenvolvimento do longa-metragem ‘Na trilha das borboletas azuis’, cujo curta já está em produção e deve ser lançado em Annecy 2019.

Seguindo a trilha das boas notícias, a Coala Filmes assinou com produtoras do Uruguai e da Argentina um acordo de coprodução do longa de animação “Pueblo Chico”, do diretor uruguaio Walter Tournier. “É meu primeiro trabalho em coprodução entre Brasil, Uruguai e Argentina”, disse Cesar Cabral, sócio-diretor da produtora. “A proposta é crescer nesse projeto pensando muito na parceria entre os países.” O projeto “Pueblo Chico” foi apresentado no pitching de Annecy e conta a história de um menino e sua vaca, em um povoado onde o metano expelido pelos animais é transformado em energia. A comédia questiona a perda do espírito de rebeldia dos adultos em um mundo repleto de ganância.

“Nesses eventos internacionais começamos relacionamentos muito promissores. Em um festival em que o Brasil era destaque, claro, isso foi ainda mais forte”, comentou Zé Brandão, da Copa Studio, que concorreu esse ano com o episódio ‘Eject Especial’, de Irmão do Jorel. Valu Vasconcelos, da Valu Animation Studios, reforçou essa impressão. Segundo ele, o fato desse ter sido o ano do Brasil em Annecy e da delegação brasileira ter um espaço maior no Mifa gerou ainda mais interesse e busca por conversas de negócios. Tanto que a produtora e a Ghost Jack Entertainment, do mineiro Cristiano Seixas, fecharam parceria com produtores da Ucrânia e da Coreia do Sul para a distribuição do projeto ‘Smart Babies.AI’, multiplataforma de educação e entretenimento voltada a crianças em idade pré-escolar. “Estou feliz que a gente conseguiu isso, ainda mais uma dobradinha dentro e fora do Brasil ao mesmo tempo”, afirmou Seixas.

Ainda durante o festival, estudo divulgado pelo BNDES estimou o mercado brasileiro de animação em R$ 4 bilhões em 2016. A produção de obras de animação cresceu quase 40% entre 2009 e 2015 e, nesse mesmo período, o número de registros de obras seriadas de animação cresceu quatro vezes. Números que corroboram levantamento de uma publicação especializada, segundo a qual em 2017, a animação brasileira viveu seu melhor momento em 22 anos, com o lançamento de sete longas-metragens e com o robusto crescimento na produção de séries animadas, que passaram de duas para 44 nos últimos dez anos.

O  Ministério das Relações Exteriores, o BNDES e a Ancine integraram as organizações brasileiras que apoiaram a delegação esse ano.

 Exposição  

A exposição “Brasil quadro a quadro – 100 anos da animação brasileira”, organizada pela Associação Brasileira de Cinema de Animação (ABCA) em correalização com o Ministério da Cultura, encantou o público do Festival de Annecy. A exposição foi feita nos jardins do Centro Cultural Bonlieu, no coração do evento. “Estamos muito felizes em poder fazer isso nessa cidade, que é o palco, a vitrine da animação mundial”, comemorou Andrés Lieban, diretor artístico da exposição, que teve a curadoria de Arnaldo Galvão, Diego Akel e Marcos Magalhães. A exposição contou com 12 lâminas com imagens e textos sobre criações de animadores brasileiros ao longo do tempo, com informações sobre artistas, movimentos e obras mais importantes destes 100 anos de história.

Produtoras 

Empresas integrantes do Brazilian Content: 2DLab, 44 Toons, Alopra Estúdio, Animact, Animaking, Belli Studio, Birdo, Chatrone, Coala Filmes, Combo Filmes, Consulado, Copa Studio, Estúdio Giz, Ghost Jack Entertainment, Helikon, LUVA, Mauricio de Sousa Produções, Movioca, Penguin Animation, Pulo do Gato Animação, PushStart, Red Studio Brasil, Split Studio, Tortuga Studios, TV Cultura, UM Filmes; integrantes do Cinema Brasil: Anaya Produções Culturais, Bits Produções, Boulevard Filmes*, Carnaval Filmes, Elo Company*, Glaz Entretenimento*, Klaxon Cultura Audiovisual, Mar Filmes, Pietro Productions; integrantes do Brasil Music Exchange: Astrolábio Música e Multimídia*, Lab Fantasma, Valu Animation Studios*, Zappacadabra; integram o FilmBrazil: Consulado*, LOBO e Spirit Animation – as produtoras assinaladas também são integrantes do Brazilian Content.

 

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