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Branded Content Evento Festival/Prêmios Produtoras

Na Rio 2C, APRO destaca o Branded Content

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A APRO – Associação Brasileira da Produção de Obras Audiovisuais teve presença marcante na Rio2C, dando relevância às questões referentes ao conteúdo de marca. Em dois painéis sob sua moderação com plateia lotada, a entidade comandou na conferência discussões sobre branded entertainment e branded content, conversando com executivos das produtoras e veículos, que trataram da participação de marcas anunciantes em formatos audiovisuais como patrocinadoras de histórias fora do formato convencionais dos breakes comerciais.

Num dos painéis, no primeiro dia do evento, as possibilidades não-lineares foram destaque. Em outro, no segundo dia da Rio2C, a APRO reuniu as produtoras em debate sobre o panorama da produção de conteúdo para as marcas e sua viabilidade com demonstração de cases para um público bastante interessado no espaço denominado Arena de Conteúdo.

A Conferência Rio2C incorporou a experiência das sete edições prévias do RioContentMarket, e aconteceu de 3 a 6 de abril, na Cidade das Artes, no  Rio de Janeiro.

Summit M&M

lateral do painel

O presidente do Conselho de Administração da APRO, Paulo Roberto Schmidt, participou como mediador do Summit Rio2C – Rio Creative Conference By Meio e Mensagem no painel “Linear e Digital – Estratégias de Criação de Conteúdo para Marcas”. Nele, executivos e criativos de canais da TV paga e empresas de formato falaram sobre suas estratégias multiplataforma na criação e exibição de conteúdo, as soluções apresentadas para atrair as marcas e o impacto na área comercial. Os debatedores foram: Adriana Alcântara (Turner), Allan Lico (Endemol Shine Brasil), Cris Orlandi (Discovery Brasil) e VanessaOliveira (Viu Hub).

Schmidt abriu o painel atentando que está mais do que na hora de se olhar para a economia criativa, num momento em que há transformação do mercado de comunicação. À falta de números específicos sobre os volumes locais de investimento em branded content, ele apontou que, num mercado mais maduro como o dos EUA, de acordo com a Business Insider, o volume dos investimentos em branded content saltam de US$ 8 bilhões em 2015 para estimativas de US$ 21 bilhões de faturamento em 2018.

Adriana Alcântara, da Turner, mostrou o case “Toontubers”, canal do Cartoon Network criado no You Tube para, segundo ela, “gerar uma conversa entre os assinantes fãs dos games e do canal”. Focada no universo dos games, a iniciativa ganhou patrocínio da marca Dell, e mostrou na programadora como uma propriedade criada para o digital também pode migrar para o linear.

Endemolshine2

Lico, da EndemolShine, detalhou um pouco da trajetória da empresa, famosa pela produção de formatos, que vem também se relacionando  com marcas e agências no decorrer dos seus reality shows de sucesso, funcionando como uma espécie de hub entre elas, com ótimos resultados: “20% do nosso faturamento em 2017 já vem do branded content”, afirmou. Um dos cases mostrados foi o do programa “Cabelo Pantene – o Reality”, criado para o SBT e já entrando em sua segunda temporada.

Cris Orlandi painel Paulo

Pela Discovery, Cris Orlandi colocou: “Não importa se é linear ou digital, o que vale é o conteúdo”. Para ela, a marca tem de ser tratada como personagem. O case apresentado foi para a marca Camicado, loja de presentes, gerando conteúdo para programação sobre casamentos no canal Home&Health.

 

“Canal não é só canal, é marca”, assinalou Vanessa Oliveira, da VIUHub, exemplificando: “O Multishow, por exemplo, esta  todo o lugar”. Ela também mostrou possibilidades de trabalho no digital para outras marcas lineares da Globosat, tais como os canais GNT, Gloob, Universal, SporTV, denotando possibilidades de criação de conteúdo original para as marcas fazerem o que chama de “storytelling” cruzado.

 

Produtoras

painel produtoras

mais painel painel produtoras Paulo

 

No segundo dia da Rio2C, as produtoras foram protagonistas de painel dedicado ao branded content. Sob o título “APRO apresenta – Branded Entertainment”, houve apresentação das produtoras sobre essa modalidade de comunicação das marcas. Os palestrantes abordaram o atual estágio e as perspectivas do branded content no Brasil, exibindo cases e falando dos desafios do negócio. Participaram do painel Carlos Ciampolini, CEO da Spray FilmesFabio Luiz Trevisan, da Conspiração Filmes SP; e Gualter Pupo Filho, Sócio da Hungry Man BR. A mediação foi de Paulo Roberto Schmidt, presidente da APRO e sócio da produtora Academia de Filmes.

 

Para Gualter PupoFilho, representante da ala de criação da Hungry Man, o branded content “é uma metralhadora do marketing editorial”. Ele traçou um diferenciação entre as diversas modalidades de conteúdo de marca,

assinalando a separação entre branded content e branded entertainment. Para ele, no primeiro caso, o conteúdo criativo atende primeiramente os objetivos da marca. Para ilustrar, exemplos exibidos por ele foram criações da agência norte-americana Pereira O’Dell, do brasileiro PJ Pereira, com um dos filmes dirigidos por um dos maiores nomes do cinema alemão, Werner Herzog, conhecidamente avesso as concessões comerciais à sua obra. De acordo com o diretor da Hungry Man, o caminho na produção brasileira está pavimentado: “Temos roteiristas, temos produtoras, mas nada será possível sem mudança das marcas e das agências”.

 

Pela Conspiração, Fabio Trevisan apresentou os núcleos da produtora, como o Conspira+, que desde 2008 faz um trabalho dedicado com as marcas. Foi apresentado o case desenvolvido com a Nestlé, para o time de vôlei da cidade de Osasco, que rendeu um conteúdo de entretenimento com a artista Karol Conka, num excelente resultado de audiência. Outro exemplo foi do Bradesco, sob o mote do Dia da Consciência Negra, gerando um conteúdo para o canal do YouTube da marca estrelado pela cantora Elza Soares e a judoca campeã olímpica Rafaela Silva. Trevisan também explicou o núcleo formado por mulheres na produtora, o Hysteria.

Da Spray, foram apresentados os conteúdos originais da produtora, como os canais do YouTube Desimpedidos e Acelerados, que traçam o caminho inverso: nasceram como conteúdos digitais puros e foram conquistando as marcas. Cases desenvolvidos com as marcas Clear, Guaraná Antarctica e Peugeot foram exibidos à audiência. Carlos Ciampolini divide em 5 os campos de  atuação da produtora junto a seus canais do YouTube: formato, marcas, aderência, talentos e dados. Paulo Schmidt, fechando o painel, lembrou que o local para amplo desenvolvimento e discussão do assunto será na próxima edição do WHEXT, festival da APRO, dias 30 e 31 de outubro, em São Paulo.

 

Ancine

painel Ancine boa

Outro momento importante para discussão do tema na Rio2C aconteceu no painel “Audiovisual Gera Futuro – Ancine em Transformação”, no qual o presidente da ANCINE – Agência Nacional do CinemaChristian de Castro, apresentou as diretrizes da sua gestão. Após sua exposição, o presidente da agência foi sabatinado por Paulo Roberto Schmidt (APRO),  Mauro Garcia (BRAVI), Leonardo Edde (SICAV – Sindicato da Indústria Audiovisual) e Joao Daniel Tikhomiroff (Sindicato da Indústria Audiovisual do Estado de São Paulo). Os dirigentes das entidades atuaram como interventores, fazendo perguntas ao presidente da agência.

 

Na sua palestra, Christian de Castro explicou o seu projeto já em prática de gestão participativa, detalhando suas premissas como a integração das áreas, transformação de processos, e visão e integração de sistemas. Exaltou modelos a serem seguidos, como o de transparência, e falou da meta em dar publicidade às reuniões da diretoria colegiada, bem como incentivar o diálogo com o mercado – “É preciso vencer a barreira de entrada”, disse -, além de trabalhar sempre para garantir o pluralismo e a diversidade nas produções nacionais. Em mais de um momento o presidente da Ancine fez menção ao trabalho iniciado por sua antecessora, que ficou interinamente na presidência, a atual diretora da agência Déborah Ivanov. Ele também enumerou a conquista do FSA, que foi a de garantir cota de 35% para obras dirigidas por mulheres.

 

Entre os desafios colocados para sua gestão, Christian de Castro elencou: a regulação do VOD, revisão e supressão de IN’s, reformulação dos editais do FSA, expansão do parque da indústria, aumento da bilheteria dos filmes brasileiros, incentivo à entrada de investidores privados e garantia de  maior acessibilidade e diversidade.

 

No momento das intervenções, João Daniel Tikhomiroff questionou sobre como a agência tratará as questões referentes à propriedade de direitos das obras com uso de recursos públicos. Em resposta, o presidente da Ancine disse que o assunto é tema de abordagem na AIR (Análise de Impacto Regulatório) em andamento na agência.

 

Paulo Roberto Schmidt, na sua intervenção, lembrou que o audiovisual é um setor que financia a própria atividade, por meio da Condecine. Neste sentido, ele perguntou o que poderia ser feito para a agência também estimular o emprego capital de privado com participação das obras, por meio do branded entertainment. Para Christian, como o próprio modelo de publicidade no mundo vem mudando, é natural que as marcas estejam entrando para o conteúdo. Na sua visão, o que cabe à Agência é trabalhar para trazer previsibilidade nos processos e encurtar prazos. Mas ele vê ainda o modelo brasileiro muito apoiado na venda de mídia.

 

 

 

Tags:
Edianez Parente

Gerente Comunicação e Marketing na Apro

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